Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Nem branquinha nem fofinha
Mas essa nuvem é um tanto diferente, não tem nada de branquinha ou fofinha. Ela está mais para cinza e metálica mesmo. Falo dos milhares de servidores onde todos os bits da internet estão armazenados. Navegamos, navegamos e esquecemos de que a internet não é uma dimensão paralela; ela roda a partir de computadores, cada coisa que vemos está armazenada em algum lugar. Mais tecnicamente, no disco rígido de algum servidor, que pode estar em qualquer lugar da Terra. O template e todos os textos deste blog, por exemplo, estão em algum data center do Google.
Em 1º de abril, aconteceu em Mountain View, na Califórnia, a Google Efficient Data Centers Summit. Nesse evento, a empresa revelou um de seus data centers, que tem capacidade para 45 mil servidores acomodados em 45 contêineres. Dias mais tarde, o vídeo apresentado na reunião com a indústria estava no canal oficial do Google no YouTube.
Google container data center tour | Dibulgação/YouTube
Os data centers são algo tão estratégico para o Google que a empresa fez questão de criar o seu próprio servidor (foto abaixo). Segundo a empresa, isso resultou em um equipamento mais eficiente do ponto energético.
Servidor personalizado do Google | CNET
Quando se fala em instalações onde a conta de luz chega a pesar mais de 80% nos custos operacionais, buscar a eficiência energética é questão de sobrevivência. E nem todo mundo conseguiu resolver este problema. No Guardian, Bobbie Johnosn dá o exemplo do YouTube, que não sai do vermelho por exigir uma estrutura colossal muito maior do que a até agora tímida receita com publicidade pode suportar.
Com conexões de internet cada vez mais estáveis e rápidas, não deve demorar muito até que o único software instalado num computador seja um navegador de internet. Já existem até mesmo sistemas operacionais que rodam inteiramente na web. Essa revolução deve começar em pouco tempo pelos netbooks e torná-los ainda mais baratos.
Para ter uma ideia de como isso não está longe de acontecer, enquanto estiver usando o Gmail, preste atenção no canto superior da tela e veja quanto das nossas necessidades básicas num computador já existem naquele estreito menu. Até mesmo o Facebook ficou com cara de OS depois da última reforma visual.
AMEAÇA AO AMBIENTE
Considerando que a maior parte da energia elétrica dos EUA e da Europa tem origem em fontes poluidoras, a concentração dos nossos dados para esses servidores pode não ser muito interessante para o meio ambiente.
A primeira vez que li sobre foi em outubro do ano passado, na versão brasileira de Le Monde Diplomatique. O grande ponto no artigo de Hervé Le Crosnier (por incrível que pareça, não disponível na internet) é o sistema de resfriamento dos servidores nesses centros de processamento. Para evitar o super aquecimento, é preciso não somente muita energia elétrica, mas principalmente muita água. Tanto que o autor alerta para a construão dessas instalações perto de rios.
Medir o impacto dos data centers é algo impossível de ser feito por má vontade das empresas. Com a importância da nuvem crescendo, o que interessa sobre essas instalações é tratado como segredo comercial. Ninguém quer expor a sua capacidade de processamento para a concorrência. Nem mesmo a Amazon, que mantém um serviço de hospedagem de aplicativos baseados na internet.
Diz o Google que cada busca no portal resulta em mais 200 miligramas de CO2 na atmosfera, o que é muito, muito menos do que uma página de jornal. Mas, em um dia, quantas buscas são feitas e quantos jornais são impressos? Talvez assim a balança pese para o lado do Google. Para diminuir o impacto da nuvem no ambiente, o caminho é o mesmo da diminuição da conta de luz: investir em eficiência energética e em novos métodos de ventilação.
O artigo de Tom Vandrbilt publicado na revista de The New York Times de ontem é interessante por situar a importância crescente da cloud computing sem deixar de levantar os problemas do modelo. Vale a leitura.
Por
Neves Neto
at
02:12
Assuntos: cloud computing, Ecologia, Google, Guardian, Internet, Monde Diplomatique, NY Times
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Um tweet por post
Nos últimos meses, o Twitter rapidamente se firmou como a minha principal ferramenta de comunicação com o mundo. Hoje não me espanto se constatar que já o acesso mais do que o meu e-mail. Não acho que seja possível para mim detalhar os porquês disso; o Twitter é uma ferramenta cujos usos fui descobrindo.
De início, quando nenhum amigo estava registrado na rede, o tráfego era predominantemente de mão única; eu apenas recebia conteúdo publicado por outros usuários, tudo muito estanque. E se ninguém vai ler o que você escreve, do que adianta gastar seu tempo naquilo? Isso fez até com que eu me afastasse um pouco do serviço, o que também se juntou ao período em que eu fiquei sem internet em casa, quando passei a morar sozinho. Mas agora que tenho uma conexão estável, conseguiu aproveitar as possibilidades do Twitter. E agora tendo com quem conversar.
Um dos motivos para este blog estar parado é o fato de escrever para cá ter se tornado algo quase profissional; ficava por duas, três horas a pesquisar material tanto para embasar como para enriquecer meus posts. A lista de rascunhos não terminados talvez seja mais extensa do que a de textos publicados até agora. Por muitas vezes tentei retomar o ritmo do blog, mas esse meu perfeccionismo besta fez com que eu simplesmente não terminasse por várias vezes o que começara a escrever.
Não prometo que a partir de agora esse tipo de coisa não acontecerá, mas tentarei manter as atualizações em alguma regularidade. Para isso pensei em um novo método. Vou escolher um dos meus tweets do dia anterior e tentar aprofundá-lo, estendê-lo aqui no blog. Eu realmente quero que fazer esse caminho contrário, do Twitter para o blog, seja mais cômodo para a minha cabeça e os meus dedos; tomara que dê certo.
eu no twitter: @nevesneto
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
O conclave do design
Quer saber mais? Leia matéria no SND Update
Por
Neves Neto
at
22:57
Assuntos: design, Jornalismo, SND30
